O atentado a Bolsonaro divide o mundo digital no Twitter

18 de setembro de 2018 by in category Blog TI tagged as , , , with 0 and 0
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Como o atentado a Bolsonaro divide o mundo digital no Twitter

Em um cenário político altamente polarizado e com debates cada vez mais aquecidos nas mídias sociais a Tree Intelligence – empresa internacional de consultoria e tecnologia especializada em mapeamento e monitoramento de redes digitais de influenciadores e temas estratégicos – inicia uma série de publicações com o objetivo de monitorar como eventos relevantes ao processo eleitoral de 2018 são mencionados e replicados entre os candidatos e na rede de eleitores em geral.

Para inaugurar esta série, vamos falar sobre um dos temas mais debatidos na web brasileira recentemente: o atentado ao candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, no dia 06 de setembro.

Se nos últimos anos o debate político brasileiro apresentou uma forte tendência de polarização, o ataque ao candidato do PSL contribuiu ainda mais para acirrar os ânimos. E o twitter, por ser uma rede social extremamente ágil e politizada, na qual temas e eventos se viralizam rapidamente, é o ambiente ideal para entender como políticos e os eleitores se manifestam.

Como os candidatos reagiram ao ataque? A posição dos eleitores em geral segue a posição dos candidatos? Qual grupo dominou o debate no twitter?

Para poder entender essas e outras questões vamos sempre considerar dois grupos em nossas análises. O primeiro é a rede digital do Pequeno Mundo de candidatos, formado por candidatos que estão na disputa por diferentes cargos nas Eleições de 2018. O segundo grupo é a Rede do Twitter em geral, a Twittosfera.

Tanto na Rede de Candidatos como na Twittosfera, as opiniões se dividiram entre aqueles que consideraram Bolsonaro uma vítima da violência generalizada no Brasil e aqueles que o responsabilizaram pelo próprio incidente por seu “discurso de ódio”.

Para o grupo solidário a Bolsonaro, o candidato teria sido vítima de intolerância político-ideológica e do falido sistema de segurança pública do país; sistema esse que é tema central de sua campanha eleitoral. O discurso propagado referiu-se ao atentado como crime de ódio e intolerância por parte de grupos de esquerda. Nesse mundo, o fato de ele ter sobrevivido foi atribuído à intervenção divina e foi acompanhado de manifestações políticas e religiosas e campanhas de oração pela vida do candidato. O discurso predominante foi de repúdio à violência e da importância de se fazer justiça por meio da punição adequada ao agressor de Bolsonaro.

Aqueles que atribuíram o incidente ao próprio discurso do presidenciável, sustentam que o ataque é consequência da posição aberta de Bolsonaro de apoio à liberação do porte de armas e, segundo eles, seria alvo de seu próprio discurso de ódio.

Há ainda os neutros que optaram pelo discurso politicamente correto, que pregava a paz e tolerância na esfera política. Apenas uma parcela menor de candidatos e eleitores optou por apresentar suas condolências a Bolsonaro e repudiar o ato contra sua vida.

Essa configuração polarizada foi observada tanto nos perfis de candidatos às eleições como nas contas de usuários em geral. Porém, duas importantes diferenças: na Twittosfera, as postagens críticas a Bolsonaro superaram as que defendiam o candidato enquanto uma vítima da violência e, somente nesta rede, um numeroso conjunto de publicações irônicas surgiu e foi amplamente disseminado. Ou seja, entre os que apoiavam o candidato do PSL e os que o condenavam, surgiu novo grupo: os “Memistas”, que não perderam a oportunidade de transformar este episódio em motivo de piada. Este grupo se destacou tanto na Twittosfera que foi possível, inclusive, identificar uma conta (@facadobolsonaro) criada para dar vida à faca utilizada no atentado. Em menos de duas semanas, esta conta possui mais de 4k seguidores. Além da conta da “faca”, outros memes foram criados a partir da imagem de Bolsonaro no hospital.

A enorme visibilidade digital adquirida por Bolsonaro após o atentado de 6 de setembro poderá ser capitalizada para que ele tenha ganhos políticos revertidos em mais votos à sua candidatura. A polarização que observamos claramente no Twitter indica que o incidente amplificou ainda mais a posição tanto de apoiadores como de opositores de Bolsonaro. Este caminho, de polarização extrema, pode reduzir as opções eleitorais, com o enfraquecimento de candidatos moderados e de centro,  atraindo mais votos para o PSL. Por outro lado, o efeito contrário também pode acontecer, com o aumento da rejeição a Jair Bolsonaro e eleitores mudando o seu voto na tentativa de impedir sua vitória.
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