Inovar é gerir as redes de cooperação

27 de junho de 2016 by in category Blog TI with 0 and 0
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INOVAR É GERIR AS REDES DE COOPERAÇÃO


 

A inovação é um valor cada vez mais presente na comunicação institucional das organizações. No entanto, na prática, muitas vezes não passa de uma expressão de desejo que não encontra respaldo na cultura organizacional. Como mensurar a inovação e como desenvolvê-la são perguntas que despertam especial interesse num contexto de recessão que exige mudanças. Inovar é a chave para se adaptar, sobretudo em tempos de crise!


 

A história das inovações nos mostra que, na enorme maioria dos casos, estas emergem de conexões entre ideias pré-existentes. Os considerados “gênios” são aqueles que conseguem conectar individualmente idéias até o momento desconexas. Dizem que todos nós temos, pelo menos uma vez na vida, uma ideia genial, mas fatores como o isolamento dificultam o desenvolvimento e a aplicação prática destas idéias. A cooperação é à base da inovação!


 

As organizações modernas, por sua vez, tem a vantagem de possuir complexas redes de colaboradores e stakeholders constituindo um “super-organismo” em constante adaptação. Sendo assim, a capacidade de inovar já não depende da genialidade individual, mas da estrutura das redes de cooperação que conectam pessoas e ideias. Inovar é gerir as redes de cooperação!


 

Nesta vertente, a análise de redes organizacionais – do acrônimo em inglês ONA – é uma metodologia científica que permite visualizar e mensurar as redes de cooperação e inovação dentro das organizações e entre elas e seus stakeholders. Através desta metodologia- e em complemento com a antropologia organizacional – é possível diagnosticar quão inovadora é a estrutura da rede e quais são os papeis desempenhados pelo capital humano. Insumos a partir dos quais se propõem intervenções para desenvolvê-la.


 

Por exemplo, uma organização que goza de boa saúde em termos de cooperação e inovação vai apresentar redes densas e coesas dentro dos seus departamentos chaves e, sobretudo, entre eles, extraindo o máximo da capacidade criativa inerente a seu capital humano.


 

Mas, não basta apenas fortalecer os vínculos internos, as organizações modernas tem que criar diversos vínculos externos, transcendendo o “super-ego” organizacional e gerando colaborações novas com os mais variados stakeholders. O acadêmico das redes sociais Mark Granovetter denominou estes vínculos externos como “fracos”, por tratar-se de conexões menos próximas e freqüentes que as internas. Ele descobriu que na hora de cooperar e inovar são os vínculos “fracos” os mais efetivos para acessar novas informações. Esta ideia é conhecida como “a fortaleza dos vínculos fracos”.


 

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Por exemplo, organizações cujo core business é a inovação investem fortemente na criação de parcerias com institutos de pesquisa e universidades no desenvolvimento de novos produtos.


 

Este é o caso da farmacêutica suíça Novartis que, em 2001, desenvolveu um medicamento inovador, chamado Gleevec, para o tratamento de câncer, a partir de um processo denominado por eles mesmos como “innovation management”, o qual foi baseado no estímulo da interconectividade interna e externa de distintas expertises localizadas ao redor do mundo.


 

No Brasil, empresas como a Natura são reconhecidas por envolver consumidores, institutos de pesquisa e universidades no desenvolvimento de novos produtos. Em 2008, a Natura lançou um produto da linha antiidade Chronos, baseado no estudo de uma espécie de maracujá existente no Brasil, cujas propriedades antiinflamatórias foram pesquisadas em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).


 

Finalmente, a IBM – uma corporação com a inovação no seu DNA – é pioneira no estímulo da interconectividade através de ferramentas colaborativas Web 2.0, tais como: redes sociais virtuais, wikis, blogs e fóruns tanto para a interconexão entre seus colaboradores quanto para a interação entre eles e os stakeholders.


 

Em suma, a inovação requer uma gestão estratégica e sistêmica das poderosas redes sociais dentro e fora da organização. Neste contexto, a análise de redes organizacionais (ONA) se posiciona como uma metodologia cientificamente validada de diagnóstico e desenvolvimento da inovação a serviço das organizações que procuram atingir esse estado de genialidade coletiva.


 

Para terminar, uma pergunta: Como você imagina a rede de cooperação e inovação na sua organização?


 

Ignacio Garcia https://br.linkedin.com/in/ignaciogarciazoppi/pt

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